"A França não deixará que a Mancha se torne um cemitério", declarou nesta quarta-feira o presidente francês, Emmanuel Macron, que anunciou a morte de pelo menos 31 pessoas, um número em seguida rebaixado para 27 falecidos pelo Ministério do Interior.

O presidente francês pediu o "reforço imediato dos recursos da agência Frontex nas fronteiras externas da União Europeia" e uma "reunião de emergência dos ministros europeus preocupados com a questão da migração".

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, se disse "chocado, indignado e profundamente triste" com o ocorrido, afirmando querer "fazer mais" com a França para impedir essas travessias ilegais e citando "problemas para convencer alguns de nossos parceiros, principalmente os franceses".

O Ministério Público abriu uma investigação por vários crimes, entre eles "homicídio". O ministro do Interior francês, Gerald Darmanin, garantiu que quatro traficantes "diretamente relacionados" à tragédia foram presos.

Em declarações à imprensa na cidade de Calais, no norte da França, Darmanin afirmou haver uma criança entre as vítimas. a prefeita da cidade, Natacha Bouchart, revelou que também havia uma grávida.

Deixando de lado as tensões por esta e outras questões, Macron e Johnson conversaram por telefone e "concordaram na urgência de aumentar os esforços conjuntos para impedir essas travessias e fazer o possível para impedir a ação de gangues que coloquem vidas em risco", declarou um porta-voz de Downing Street.

Londres e Paris se comprometeram a "reforçar" sua cooperação, após a chegada em 11 de novembro de 1.185 migrantes às costas inglesas, um recorde.

O balanço dessa tragédia supera por si só o número total de mortes no Canal da Mancha desde 2018, quando começou a aumentar o número de migrantes que tentam alcançar as costas britânicas a bordo de pequenas embarcações devido à maior vigilância nos portos e no túnel que liga França e Inglaterra.

Antes desse naufrágio, o balanço de 2021 era de três mortos e quatro desaparecidos. Em 2020, seis pessoas perderam a vida e outras três desapareceram. Em 2019, foram registrados quatro mortos.

"As pessoas morrem na Mancha, que está se tornando um cemitério a céu aberto, como o Mediterrâneo", declarou Pierre Roques, coordenador de uma associação de migrantes em Calais.

- Cerca de 50 pessoas a bordo -

Os navios de resgate com os corpos das vítimas chegaram nesta quarta-feira à noite em Calais, onde um hangar foi montado para recebê-los. Seus restos mortais serão enviados a um laboratório forense para autópsia.

Segundo as primeiras informações das equipes de resgate, o desastre aconteceu em um pequeno bote inflável, de pouca estabilidade em águas mais tumultuosas.

Uma fonte próxima ao caso informou que cerca de 50 pessoas estavam a bordo da embarcação. De acordo com a autoridade marítima local, três helicópteros e três navios participavam dos trabalhos de busca.

A Agência das Nações Unidas para Refugiados, "chocada e contrariada", estimou que "somente esforços coordenados e solidários (...) evitarão novas tragédias".

O primeiro-ministro francês, Jean Castex, comandará uma reunião interministerial para abordar a situação nas primeiras horas desta quinta-feira.

"Meus pensamentos estão com os numerosos desaparecidos e feridos, vítimas de criminosos que se aproveitam de sua angústia e miséria", tuitou Castex.

Castex comandará uma reunião interministerial para abordar a situação nas primeiras horas desta quinta-feira.

O prefeito marítimo da Mancha e do Mar do Norte, Philippe Dutrieux, alertou na sexta-feira à AFP que o número de travessias de migrantes a bordo de pequenas embarcações dobrou nos últimos três meses.

Até 20 de novembro, 31.500 migrantes saíram das costas francesas desde janeiro e 7.800 foram resgatados, afirmou Dutrieux, que apontou que a tendência não diminuiu, apesar da queda das temperaturas.

O Reino Unido, que acusou meses atrás a França de não fazer o suficiente para deter a chegada de migrantes a suas costas, vai garantir que 22.000 consigam cruzar o Canal da Mancha nos 10 primeiros meses do ano.

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