A Anistia "mantém plenamente nossas conclusões", disse à AFP por e-mail a secretária-geral da ONG, Agnes Callamard.

"As conclusões (...) são baseadas em evidências coletadas ao final de extensas investigações que seguiram os mesmos padrões rigorosos e diligentes aos quais todo o trabalho da Anistia Internacional é realizado", acrescentou.

Em um relatório publicado na quinta-feira após uma investigação de quatro meses, a AI disse que os militares ucranianos colocaram civis em perigo ao estabelecer bases militares em áreas residenciais e lançar ataques a partir de locais povoados para impedir a invasão russa.

Segundo a ONG, essas práticas violam o direito internacional humanitário. Pouco depois, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou a AI de apologia ao "Estado terrorista" da Rússia.

Poucas horas antes, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, afirmou estar "indignado" com as acusações "injustas" da ONG.

Em seu relatório, a AI enfatiza que as táticas ucranianas "não justificam de forma alguma os ataques indiscriminados da Rússia" contra a população civil.

Callamard disse que o governo ucraniano não respondeu aos pedidos da AI para comentar as alegações da organização.

Por outro lado, lembrou que a Anistia divulgou inúmeros relatórios "documentando crimes de guerra cometidos por forças russas na Ucrânia".

Por sua vez, a responsável da AI na Ucrânia, Oksana Pokalchuk, indicou em nota no Facebook que a Anistia ignorou seus pedidos para não publicar o relatório, que não será traduzido para o ucraniano.

Callamard disse que este não é o momento de comentar as "imprecisões" na declaração de Pokalchuk, mas insistiu que o relatório passou por um "processo de revisão interna completo".

Os conteúdos mais inspiradores e atuais!

Ative as notificações do SAPO Brasil e fique por dentro.

Siga-nos na sua rede favorita.