O anúncio, feito pela chanceler alemã, Angela Merkel, foi acompanhado do de um pacote de até 10 bilhões de euros (11,75 bilhões de dólares) para que a economia enfrente esse momento.

Essas medidas "duras e difíceis" têm o objetivo de "desacelerar a taxa muito alta de propagação do vírus", informou a chanceler em entrevista coletiva.

"Devemos agir agora", para evitar que entremos "em um estado de emergência na saúde", acrescentou.

Merkel disse, ainda, que as novas regras se aplicam a todo o território nacional, em sequência ao acordo alcançado em uma reunião sobre a crise com autoridades do governo das 16 regiões alemãs relacionadas à área da saúde.

Os líderes regionais se reunirão novamente daqui a duas semanas para revisar a eficácia das medidas, e se precisarão ser ajustadas.

Foi anunciado o fechamento de restaurantes, instituições culturais e estabelecimentos do setor de lazer - como cinemas, salas de espetáculos, teatros e piscinas - a partir da segunda-feira.

As restrições anunciadas nesta quarta vão se estender até o fim de novembro. As reuniões poderão ter no máximo 10 pessoas de duas famílias diferentes. No entanto, escolas e lojas poderão permanecer abertas, explicou a chanceler.

Todas as competições esportivas profissionais serão realizadas a portas fechadas, enquanto os esportes amadores estão proibidos.

- "Uma terapia de 4 semanas" -

Trata-se, para as autoridades alemães, de tentar salvar o período das festas de fim de ano.

O objetivo é "interromper rapidamente a dinâmica de contaminação para que não seja necessária nenhuma restrição em larga escala aos contatos pessoais e à atividade econômica durante as festas de Natal", diz o texto do acordo.

"A esperança é ter a situação sob controle antes do Natal" e evitar uma volta ao confinamento total de várias semanas, segundo uma fonte próxima ao governo em Berlim.

A maioria dos mercados de Natal, tão apreciados na Alemanha, foram cancelados pela pandemia.

Mesmo que o país esteja em uma situação melhor do que a de outros países europeus, como a França ou a Espanha, o mapa da Alemanha está aos poucos ficando vermelho.

Os novos casos da covid-19 aumentaram para 10.000 casos diários e, nesta quarta-feira, o recorde de 14.964 pessoas contaminadas foi alcançado em 24 horas, de acordo com o instituto de controle epidemiológico Robert Koch.

"Provavelmente chegaremos a cerca de 20.000 novos casos no fim de semana", alertou o ministro das Finanças, Peter Altmaier.

"A situação é muito grave. As medidas aplicadas não são suficientes para conter a tendência", explicou antes da reunião Armin Laschet, chefe de governo da região mais populosa da Alemanha.

Para o líder da Baviera, o popular conservador Markus Söder, as medidas são "uma terapia de quatro semanas".

Nos últimos dias, o governo insistiu em pedir aos alemães que ficassem o máximo possível em casa.

Há quinze dias, Angela Merkel e líderes regionais decidiram limitar o número de participantes em reuniões privadas, consideradas fontes de contaminação, e aumentar o uso de máscaras.

Porém, o governo falhou em sua tentativa de chegar a um acordo sobre uma estratégia comum.

Merkel declarou-se "insatisfeita", uma rara declaração pública de sua parte.

Assim como em toda a Europa, o medo é de um novo choque econômico. Novas restrições, ainda que menos severas que as do primeiro semestre, podem ser fatais para a maioria das pequenas empresas.

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