Um novo estudo da Opas conclui que em mais de 80% dos países analisados, os afrodescendentes vivem em desvantagem no emprego, na saúde e no acesso a moradia e serviços básicos, como água potável e saneamento.

"Sejamos francos: as desigualdades de saúde enfrentadas pelos afrodescendentes ocorrem em um contexto de discriminação institucional e racismo, muitas vezes exacerbado pelas desigualdades de gênero", declarou a diretora da Opas, Carissa F. Etienne.

De acordo com o estudo, os riscos à saúde aumentam com a idade.

Os maus resultados relacionados à saúde dos afrodescendentes devem-se a fatores relacionados "à discriminação e estigmatização, juntamente com as desigualdades de gênero e desvantagens sociais e econômicas".

Essas desigualdades foram exacerbadas pela pandemia de covid-19.

O relatório destaca que os riscos à saúde aumentam com a idade e o acesso limitado aos cuidados de saúde da população negra também se traduz em "altas taxas de mortalidade materna, gravidez precoce e perfis epidemiológicos em que predominam a doença falciforme (doenças hereditárias nas células vermelhas do sangue), diabetes, hipertensão e Aids".

Na América Latina, 134 milhões de pessoas se identificam como afrodescendentes.

Em muitos países, as desvantagens são enormes: no Equador, a taxa de mortalidade materna para mulheres afrodescendentes é três vezes maior que a taxa de mortalidade materna geral; na Colômbia é 1,8 maior e no Brasil é 36% maior.

No Uruguai, a proporção de afrodescendentes com acesso limitado à água potável (42%) é quase o dobro da de não afrodescendentes (24%).

Nas áreas urbanas da Nicarágua, 81% dos afrodescendentes têm acesso limitado à água, em comparação com 35% dos não afrodescendentes.

O relatório recomenda o aprimoramento das políticas públicas de saúde incorporando "os conhecimentos específicos e as práticas ancestrais dos afrodescendentes, o respeito à sua autonomia, cultura e costumes e a criação de cenários participativos que promovam a igualdade de oportunidades".

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